Dúvida
Achou oitocentos reais na rua. Tinha que passar ao lado de um pequeno lixão (lixinho?) antes de chegar na padaria. Um pacote lhe chamou atenção. Transparente, dobradinho. Dois reais talvez? Na volta, nenhuma cerimônia. Botou o pacote no bolso, deixou a sacola de pão e se foi. De relance, uma espiada no pacote. Tinha a maior cara de dois reais. Correria. Atravessa a rampa do metrô num suspiro só. Passou pela borboleta sem nem bem reparar quanto de saldo sobrou para aquelas próximas duas semanas. Dia vinte é agora o novo trinta. Achou um lugar pra sentar na plataforma. Sozinho. Meteu a mão no bolso sem nenhuma esperança ou expectativa. Três cédulas de dois reais abraçavam três cédulas de cinquenta, seguidas por algumas de cem. Tudo novinha. Saídas do banco. Estalando, como diria o outro. Setecentos e três reais batidinhos. Olhou para os lados, redobrou o dinheiro e devolveu para o bolso com todo o cuidado. Deixou um sorriso pra trás quando o metrô chegou, lotado como sempre...







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