Jade (ou uma outra joia)




Um amigo meu veio todo feliz me contar que vai ser papai. Pai de menina. Coisa mais linda. Primeira filha do cidadão. Qual vai ser o nome da menina, pergunto. E me vem a surpresa: Jade.

- Como a música do João Bosco?

- Aquela mesma.

Na mesma hora me veio aquela introdução com o violão na cabeça. Essa canção é de 1989, de um disco lançada exatamente em julho daquele ano e foi trilha sonora da novela do Sassá Mutema. E isso eu sei de cor pois foi nesse ano e nesse mês que meu irmão, dois anos mais novo que eu, nasceu.

Aqui, meu irmão. . . De repente, a letra da música mudou completamente de sentido, 37 anos de lançada. O olhar não é mais de um amigo contando pra um outro sobre uma cantada encantada. Imagina agora o olhar de um pão, todo abestalhado para uma bebê.

Quanta felicidade. E a letra, que inverte e brinca com a sonoridade das palavras, das rimas, jogando com a interpretação percussiva do violão do mestre. Coisa fina demais. Uma obra que simplesmente não desafina nem envelhece. Quantas Jades não terão por aí, nascidas, batizadas e embaladas por esse emaranhado de acordes, referenciados pelas arábias e as mil e uma noites em apenas três minutos e quinze segundos?

Voltei pra casa contente. Não é todo dia que a gente recebe tão boa notícia, prova de que a vida realmente se renova. Coloquei pra tocar essa pedrada. A versão original, ao vivo, voz e violão, vó. . . Como não será que tá a mãe do Richard, toda coruja, sabendo que vai ser vovó?

Incrível como a arte invade a nossa vida e, mesmo que a gente, por vezes, não perceba, acaba doando para outras pessoas pequenas tesouros. A menina vai nascer imortalizando uma obra de arte, algo quase como que uma tatuagem, um símbolo.

Interessante como a cultura nos surpreende, se e nos renova, torna a vida mais farta e fácil, diversas e colorida, como uma simples música que batiza, que toca no celular, que alegra nossos dias em plena véspera de um Carnaval de um ano que mal começou e está tão quente, tão adverso, tão surpreendente, tão carente de boas notícias como a vida que se renova numa criança nova, numa música antiga, num bom amigo que chega para trazer boa notícia e na arte, que não fica velha nunca. Igual essa poesia.


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