"E aí, Mestre?"
Não é todo mundo que pode receber ou ser reconhecido pela palavra mestre. Esse termo, mesmo com o passar do tempo, ainda carrega em si o respeito, a tonalidade e a exigência da grandeza. Mestre, para além de um título obtido, o que também demanda esforço e dedicação, é também a síntese de um carinho.
Conheci Rammon Capistrano na graduação, estudando biologia na imponente e generosa Unidade Acadêmica de Serra Tallahada da UFRPE. Entre as difíceis idas e vindas para a universidade, que naquele buscava se afirmar em nossa região, entre os corredores da UAST passei a chama-lo de mestre.
E aí, mestre? Era assim que me dirigia ao professor, gente do bem, esforçado por excelência e mais um fruto da formação superior, do ensino e da ciência, coisas que mais do que nunca precisamos divulgar, conhecer e experimentar em nosso país.
O mestre era gente do bem. Um estudante dedicado, não surpreendeu que se tonaria mais um professor (mestre, como chamavam antigamente) reproduzindo e levando conhecimento em nosso sertão. Se uma das responsabilidades e tarefas da universidade é espalhar conhecimento, mestre Rammon fez isso bem.
Entre as idas e vindas, lutamos pela melhoria da universidade. Quando organizamos a primeira manifestação pela melhoria no transporte o mestre estava lá. O que começou com um simples abaixo assinado, virou uma manifestação de rua e acabou nos levando até o Palácio do Campo das Princesas.
Diziam pra gente que aquilo não daria em nada, que era perda de tempo. Hoje nós vemos a instituição que nos acolheu e nos formou transformando vidas de outros jovens que, como nós, tiveram a chance de se agarrar num sonho e seguir.
Se a gente olhar direitinho, vai ver o trabalho de nosso mestre e outras centenas de moças e moços que pegaram seus sonhos, plantaram a semente e fizeram desse chão do sertão um grande canteiro de obras, tocando em vidas e pessoas.
Rammon nos deixou muito cedo. Daquelas notícias que a gente não espera receber, não quer receber nunca mas que infelizmente nos pega desprevenidos e nos deixa mais triste. O mestre se tornou professor, via em seus alunos um espelho. Operava o verdadeiro milagre da educação, que transforma vidas por meio do conhecimento.
O exemplo do mestre virá bem cedo. Outros Rammons vão surgir em Petrolândia, Floresta, Afogados da Ingazeira, Bananeiras, Triunfo, Calumbi… cidades onde moram pessoas que conheceram e tiveram a honra de conviver, sonhar, se formar e lutar junto com uma pessoa como ele.
*Ramon é o jovem de preto, com a camisa do Bad Boy, da direita pra esquerda. O Ramon era professor no Sertão Pernambucano, e infelizmente nos deixou nesse ano de 2026. Tive o orgulho de lutar ao lado dele no movimento estudantil na universidade. Essa foto, aliás, é na governadoria do Estado, após uma luta em defesa do transporte coletivo universitário.



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