Adeus brazil (de novo)
Quem diria que a Seleção brasileira iria de despedir, novamente, da Copa da FIFA sem ser campeã. Nessas horas, o espírito de técnico de futebol que habita em cada brasileiro, lembrando o saudoso Luis Fernando Veríssimo, aflora. Logo aparecem as teorias e as hipóteses procurando preencher nossa (mais uma) frustração.
Faltou comunicação. Solta de primeira um ex-jogador de time de Várzea do meu antigo bairro. Ancelotti, numa tentativa frustrada de dialogar com o nosso português soltou no vestiário um reforçado bote pegado, parêa! Que não pegou bem.
Na tentativa de dominar bem o português, o esforçado técnico não se fez entender bem pelos nossos meninos. O bote entendido não foi o do nosso português informal, e o menino mais menino do time saiu chutando todo mundo, ganhando cartão amarelo, batendo boca com a equipe praticamente eliminada e discutindo com o goleiro. Botou pra chorar depois.
ChatGPT, me diga aí quem é melhor para bater um pênalti nessa seleção. Deu no que deu. O jovem que nasceu exatamente dia 30 de junho de 2002 vai ficar pelo menos mais quatro anos sem querer lembrar da Seleção brasileira, uma equipe que a população se quer conhece os nomes e os rostos. Particularmente eu conhecia 5 dos jogadores convocados, tirando Neymar e Vini JR.
Um hipotético Neymar que salvaria toda nossa campanha, seja se tornando um alvo para a marcação dos adversários ou um hipotético Endrick, salvador de um ataque carente de um suposto ânimo e espírito que perdemos ao longo dos últimos anos para nos tornarmos meros exportadores de craques para a Europa, tenros de idade e experiência e carentes de um mínimo de consciência de classe para tornarem-se egocêntricos vendedores de apostas semi-ilegais que ocorrem, segundo o juridiquês, em um limbo junto a outras atividades ilícitas.
Quem entendeu bem a comunicação com seu time foi o Haaland, que não titubeou na hora do byks ou bykse, angrep ou angripe soltando um utfall fulminante numa tarde de passeio enquanto a gente assistia o bote viking remando pra longe da gente.
Mas a melhor teoria foi de um amigo meu, odioso gratuito de quem torce pela Argentina. Segundo ele, o Brasil perdeu pelo simples motivo de que tinha brasileiros ouvindo Los Hermanos antes do jogo com a Noruega. E faz muito sentido.
A música podemos até imaginar: conversa de botas batidas, inspirada numa história real envolvendo um Hotel no Rio de Janeiro justamente no ano de 2002 e um casal, supostamente casados mas vivendo um grande amor de filme, que teria se negado sair do quarto mesmo alertados por um funcionário do estabelecimento.
Agora imagina: vem a torcida da Noruega fazendo aquela remada ridícula e a música da extinta banda carioca sendo cantada por milhões: “Veja você, onde é que o barco foi desaguar”... E os noruegueses tocando bola no meio de campo parecendo um amistoso patrocinado por qualquer refrigerante genérico ou uma das duzentas bets dessa.
De repente, em mais um momento de aflição e delay, que foi a grande novidade incorporada nesse novo momento do campeonato, a torcida da Noruega, empolgada e querendo nos elogiar começam a cantar também: “Prepara uma avenida que a gente vai passar”...
Na vizinhança foi tanto palavrão, tanto xingamento, do quimbundo, tanto menino chorando que nem se quer viram a cena do outro menino, o Ney, se despedindo dos campos para entrar de vez na teledramaturgia da rede Record.
Mais quatro anos para esperar. E como somos brasileiros e o som já estava tocando antes mesmo da partida acabar, e já que era um domingo e a cerveja estava mesmo gelada, aumentamos o som e deixamos rolar... “Vem... Vamos além, vão dizer que a vida é passageira, sem notar que a nossa estrela vai cair”...
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Muito bom amigo ❤️
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