A opinião de Fanon sobre a ONU

  



 A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta última quarta-feira (25) a resolução histórica que define a escravização de africanos como o mais grave crime contra a humanidade.

Esse é um importante avanço no reconhecimento de um dos males da humanidade. Um olhar sobre essa movimentação e o que tem por trás disso é fundamental para entender essa importância histórica.

O placar final da votação foi de 123 votos favoráveis, 52 abstenções e 3 criminosos votos contra: EUA, Israel e Argentina. A resolução, que recomenda desculpas formais e reparações históricas, ou seja, abre um precedente para que a justiça de cada país e os movimentos sociais cobrem essas medidas de maneira prática.

Ironicamente, das 52 abstenções, países que lucraram muito com os processos de escravidão e colonialismo ficaram “em cima do muro”, entre eles, Espanha, França, Bélgica e Portugal.

Analisando o papel da ONU, Frantz Fanon, em artigo sobre a morte de Patrice Lumumba, em fevereiro de 1961, um mês após seu amigo ser assassinado sob encomenda do imperialismo Belga.

Lumumba pediu ajuda a Organização das Nações Unidas após sentir a chegada de um golpe a seu governo recém empossado. E foi nesse momento em que a ONU escancarou suas limitações ideológicas.

Fanon define bem: “A ONU nunca foi capaz de resolver um único problema posto pelos homens pelo colonialismo, e sempre que interveio foi para ir em socorro da dominação colonialista do país opressor (…) a ONU é a carta jurídica que os interesses imperialistas utilizam quando a carta da força bruta não deu resultado”.

A ONU votar e reconhecer o que a escravidão representa (um crime contra a humanidade) é uma questão importante. Por outro lado, demonstra também a limitação da própria organização para promover alguma mudança substancial nas relações sociais e econômicas, sobretudo na conjuntura atual.

A ONU se limita a lançar notas sobre temas urgentes e se desmoralizou ainda mais sobre questões como o genocídio Palestino, o embargo a Cuba ou o saque das milícias patrocinadas por países imperialistas, como no caso atual do Congo, por exemplo.

Diferente desse pensamento e postura, a III Internacional já apontava em seu segundo congresso em 1920, que a questão racial deveria se encarada pelo seu tamanho e importância em todos os países, inclusive definindo o racismo como “um instrumento de divisão da classe trabalhadora utilizado pela burguesia para manter baixos salários e enfraquecer a unidade proletária e reproduzir a exploração e manutenção das elites”, as mesmas que sempre lucraram com a escravidão e ainda hoje lucram diretamente com os resquícios desse período e seus males.

É por isso que precisamos organizar nossa revolta e o nosso povo. Não dá pra esperar que as organizações criadas para assinar embaixo das políticas imperialistas das elites locais de cada país. É preciso organizar nosso povo. Como dizemos: poder preto é poder popular.

Organizemos nossos territórios. 

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